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Hipotecar a casa para pagar o cartão?

15 de Março 2010

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Para quem precisa de crédito, a maior vantagem são os juros baixos: ficam em torno de 1,5% ao mês, menos que a média de 8% do cheque especial. As taxas são menores em razão da garantia imobiliária - se o cliente não pagar, os bancos podem tomar sua casa e leiloá-la para quitar a dívida. Outra vantagem é a possibilidade de financiar quantias elevadas, de até 500 000 reais, e com prazos de pagamento maiores que os de um crédito pessoal tradicional - começam em sete anos no HSBC e chegam a 30 anos na companhia hipotecária Brazilian Mortgages. O dinheiro pode ser usado para qualquer finalidade: comprar bens, viajar ou pagar dívidas mais onerosas. Há dois anos, com a corda no pescoço, o economista Carlos Alberto da Rocha fez um empréstimo na Brazilian Mortgages para pagar uma dívida de 130 000 reais que havia acumulado em vários bancos em 2006 e 2007. "Eu pagava quase 3 000 reais por mês só de juros, que chegavam a 7% ao mês, não conseguia amortizar nada", diz. No novo crédito, com taxas menores, os pagamentos mensais caíram para 1 200 reais. Essa modalidade de empréstimo pessoal só se tornou viável no país em 2004, após a aprovação de um conjunto de leis que facilitaram a tomada de imóveis pelos credores. Foi quando se criou a chamada alienação fiduciária, que eliminou restrições à recuperação das casas de clientes inadimplentes. "Hoje, um banco demora menos de um ano para leiloar a casa de um devedor. Antes, levava até dez anos, porque tudo tinha de passar pela Justiça", diz o advogado Alexandre Tadeu Navarro.

Como ocorre lá fora, aqui também esse mercado não está restrito apenas aos bancões. Uma das maiores carteiras do setor é justamente a da Brazilian Mortgages, fundada em 1999. No ano passado, a companhia emprestou 6 milhões de reais por mês em crédito pessoal com garantia de imóveis - perdeu só para o Bradesco. Como as financeiras tradicionais, a estratégia da Brazilian Mortgages é manter lojas em ruas e shoppings para oferecer empréstimos. Hoje, tem 19 filiais no país e pretende abrir mais 100 até 2012. A expansão será financiada, em grande parte, pelos recursos recebidos da Equity International, companhia do bilionário americano Sam Zell, que comprou 21% do capital de sua holding. "Nossa meta é quadruplicar a concessão de crédito neste ano", diz Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages. Nada impede que consumidores como Carlos Rocha se entusiasmem com o dinheiro mais barato e se endividem demais, isso faz parte do jogo financeiro. Até agora, o crescimento das hipotecas é mais um sinal de amadurecimento do mercado do que motivo de preocupação.

Lá é diferente

As principais características das hipotecas nos Estados Unidos e de um tipo de empréstimo semelhante que começa a ganhar espaço no Brasil

O que ocorreu nos Estados Unidos

Milhões de consumidores hipotecaram suas casas para conseguir empréstimos pessoais na última década

O valor do crédito, muitas vezes, superava o do imóvel

Hoje, as dívidas de 25% dos donos de imóveis são maiores que o valor de suas propriedades. A inadimplência quase triplicou nos últimos dois anos

Tamanho do mercado: 355 bilhões de dólares

O que vem ocorrendo aqui

As instituições são mais conservadoras - só pode pegar empréstimos quem tem um imóvel totalmente quitado

O valor do crédito não pode ser maior que 70% do preço da propriedade

Os juros são mais baixos que os de empréstimos convencionais, o que tem levado consumidores a usar essa linha para pagar dívidas mais onerosas

Tamanho do mercado: 0,35 bilhão de dólares(1)

Fonte: Portal Exame
Link da matéria: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0963/financas/hipotecar-casa-pagar-cartao-537141.html?page=2



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