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Chegou a hora de comprar o 1º imóvel. E agora?

12/12/2009

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Leitora sugere matéria e o TM traz hoje dicas de especialistas para quem pretende realizar o sonho da casa própria.

Namorados há três anos, Telma e Felipe perceberam que chegou o momento de casar. Mas antes resolveram escolher um cantinho para serem felizes para sempre. Foram para campo, começaram a procurar um apartamento pequeno e, uma semana depois do início da pesquisa, concluíram: não é fácil adquirir o 1º imóvel.

Taxas, opções de financiamento. Comprar mesmo um apartamento só para o casal? As dúvidas surgiam sem parar. Expansão imobiliária visível, influenciada pelo programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, mas o leque de opções também traz uma variedade de preços, cujas cifras podem aumentar ou diminuir consideravelmente, bem como as formas de pagamento. Telma Elita, jornalista de 28 anos, sugeriu ao Tendências e Mercado que seguisse a mesma trilha que ela, com o objetivo de descobrir os melhores caminhos para conquistar a casa dos sonhos. Topamos o desafio e conversamos com alguns especialistas no assunto.

O 1º passo para quem quer comprar um imóvel é escolher aquele que pretende adquirir. “O 2º passo é adequar o imóvel à realidade orçamentária e financeira da família”, explica o consultor jurídico da Associação Brasileira de Mutuários da Habitação em Alagoas (ABMH/AL), Anthony Lima. Ele afirma que o comprador deve ter em mente que os corretores estão na ânsia de vender e que é primordial ter cautela durante a pesquisa e, principalmente, no ato da compra.

“Sabemos que o Nordeste vive um boom no mercado imobiliário, mas os valores de alguns imóveis estão exorbitantes, eles estão supervalorizados e é preciso que as pessoas não se empolguem apenas pelo local onde eles ficam e sim pelo valor e por quanto tempo ficarão pagando”, avalia.

Segundo Lima, os futuros donos de um apartamento ou de uma casa devem pensar se vão conseguir pagar as parcelas por 20, 30 anos sem contrair outras dívidas comprometedoras que possam levar à perda do imóvel e o nome sujo na praça.

Planejamento

Telma e o namorado, o servidor público Felipe Sampaio, 31, começaram a busca pelos sites de imobiliárias. Eles procuram um apartamento para casal, na planta e pretendem fazer um financiamento oferecido por alguma instituição bancária. A jornalista aguarda receber um dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o que deve ajudar no abatimento das parcelas.

“As taxas são muitas e a gente fica meio perdido. Tem a diferença no prazo, em um lugar é de apenas dez anos, outros 12. Mas ainda terei que ver a questão do meu FGTS. O valor já ajuda. Acho que todo mundo recorre ao FGTS para comprar o primeiro imóvel!”, diz.

Para Anthony Lima, o casal tomou a atitude correta ao estabelecer um planejamento: “É exatamente por aí, até porque o financiamento é um dinheiro que você vai ter que devolver”. Apesar de terem iniciado a busca há pouco tempo, Telma e Felipe têm uma agenda onde listam os apartamentos que mais gostaram. Desse modo, reúnem as características fundamentais aos interessados em fechar um bom negócio: definiram o perfil do produto que pretendem adquirir, estão fazendo pesquisas e têm consciência de sua realidade financeira.

Como eles ainda não pensam em ter filhos, não vão investir agora em um três quartos. “Com esse imóvel, o casal poderá passar para outro mais rápido, pois o investimento será menor”, acrescentou. O consultor jurídico diz que as pessoas podem utilizar o dinheiro extra que entra, em especial no fim do ano, exemplo do 13º e férias, para abater o saldo devedor e diminuir o tempo de pagamento e os juros.

Até porque comprar um imóvel à vista não é privilégio para todos. Quem financia, deve lembrar que os bancos não são a única alternativa. É possível negociar com as construtoras. Porém, em ambos os casos, é necessário tomar cuidados básicos.

Opções

No caso de negociar com uma construtora, o comprador deve ter o cuidado de conhecê-la. Analisar sua credibilidade no mercado local, visitar obras já concluídas pela empresa, ouvir outros clientes. A avaliação preliminar nesse estágio do processo deve levar em consideração o cumprimento do prazo de entrega, o valor das parcelas intercaladas, as taxas de juros e, o mais importante, se essa construtora tem pendências com a Justiça.

Entretanto, desde a implantação do Minha Casa, Minha Vida, em abril deste ano, encarar um financiamento com as construtoras deixou de ser vantajoso. O programa do governo federal, que tem por objetivo reduzir o déficit habitacional do país - por meio da construção de imóveis dedicados a pessoas com renda de zero até dez salários mínimos, trouxe alternativas mais brandas de pagamento e disparou o espírito competidor das instituições bancárias. Vantagem para o cliente.

“O programa incentivou e provocou a concorrência entre os agentes financeiros, assim, as pessoas têm a opção de procurar um banco que ofereça taxas de juros mais moderadas”, avaliou Lima. Em relação a taxa de juros, ele alerta que a diferença entre juros pré e pós fixados precisa ser levada em consideração. Os pré-fixados são maiores e têm menos alterações ao longo do financiamento. Já os pós-fixados, possuem oscilações imprevisíveis, embasadas na situação do mercado.

De acordo com o consultor jurídico da ABMH/AL, o programa governamental aqueceu o mercado imobiliário, trazendo para o terreno das negociações um nicho que, até então, não pensava em ter uma casa própria, visto que não possuía condições. Mesmo assim, ele ressalta que as facilidades não devem tirar o foco do comprador no planejamento e no controle das finanças.

Otimismo

A data de casamento de Felipe e Telma está quase marcada. “Depende do apartamento. Se ele for entregue em um ano, o casamento será em um ano. Se for entregue em dois…”, brinca Telma. O preço é algo que desanima o casal. Imóveis pequenos custando quase R$ 200 mil… porém, eles já encontram meios de baratear a compra.

“Os apartamentos no primeiro andar são mais baratos que os mais altos. Nem ligamos de morar no primeiro e economizar!”, afirma. Ela acredita que o m² do imóvel está caro.

Vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Marcos Holanda, que também é presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil de Alagoas (Sinduscon/AL), informa que o preço do m² varia de acordo com vários fatores e a localização é um dos termômetros para o estabelecimento de valores.

Holanda avalia que a região Nordeste vive um momento de otimismo em relação ao setor imobiliário e que isso será refletido para os consumidores. Sobre a atual situação do segmento na região, ele declara: “A demanda subiu, a renda da família nordestina também, mas o preço por metro quadrado não aumentou. Por exemplo, o preço do m² de um imóvel de alto padrão na Bahia é de R$ 7 mil. Em Alagoas, é de R$ 4,5 mil”.

Marcos Holanda conta que a crise econômica mundial, que teve início devido a problemas no mercado imobiliário norte-americano, interferiu no setor aqui no Brasil e no Nordeste, mas nada que o abalasse em grandes proporções. Ele afirma que o programa Minha Casa, Minha Vida vai fazer diferença no balanço do crescimento de financiamentos de imóveis, principalmente os realizados por meio da Caixa Econômica Federal: “Esperamos um aumento de financiamento com a Caixa de cerca de 400%, em relação ao ano passado”.

Fonte: Paula Felix, Tendências e Mercado.



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