28/06/10, Brasília, DF
PhD e professor, Fabiano Sobreira questiona até que ponto os empreendimentos divulgados como “verdes” são corretos ecologicamente.
“A arquitetura passou a ser um produto a mais na prateleira; há muito mais espetáculo do que efetivamente ações concretas”, disse o coordenador de Arquitetura e Construção Sustentável do Núcleo de Gestão Ambiental da Câmara (EcoCâmara), Fabiano Sobreira, durante o seminário:Construções Sustentáveis, realizado (quinta-feira, 24, junho) na Casa legislativa federal.
Sobreira questionou até que ponto os empreendimentos divulgados como “verdes” são, “de fato, ecologicamente corretos”. Para o especialista, que é PhD e professor de Arquitetura, “na administração pública, obras divulgadas como ecológicas, na verdade “ocultam soluções insustentáveis”.
Na avaliação de Sobreira, a origem de parte do problema está nos processos de certificação, que dão pouca ênfase ao projeto arquitetônico. “No caso do selo (de sustentabilidade) leed, apenas quatro dos 69 pontos (atribuídos) se referem ao projeto”, ressaltou.
“Processo de seleção é inadequado” - Também, o arquiteto discorda da forma como os órgãos públicos selecionam as propostas. Ele afirma que, “conforme exigido por lei, a escolha deve ser feita por meio de concurso, o que nunca ocorre”.
A contratação é feita por pregão, modalidade de licitação de bens e serviços realizada em sessão pública, pela internet. No final, vence o que oferecer os bens ou serviços pelo preço mais baixo.
“O Decreto 5450/05 tornou o pregão eletrônico obrigatório para a administração pública, tendo como critério o menor preço; ou o currículo de quem apresenta a proposta”, explicou Sobreira, para quem a melhor maneira de evitar os riscos da onda verde é dar ênfase à elaboração dos projetos. “Do contrário, no lugar de um projeto sustentável teremos uma casinha camuflada de verde”, opinou.
Construção civil, efeito estufa e resíduos sólidos - Igualmente participante no seminário, o gerente de projetos do setor de economia do Ministério do Meio Ambiente, Shigeo Shiki, disse que a construção civil é responsável por 35% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil, e comentou: “Fazem parte da cadeia produtiva do setor as indústrias siderúrgicas, de cimento e de cerâmica, responsáveis por grandes danos ecológicos. Entre os fornecedores do setor estão também as madeireiras, e o desmatamento responde por 55% das emissões no país”, afirmou Shiki.
Ainda, durante o seminário foi abordada a questão dos resíduos sólidos gerados pela construção civil. De acordo com a diretora regional da associação: Governos Locais pela Sustentabilidade, Laura Macedo, estimativas apontam que o setor gera 450 quilos de entulho/habitante. “Somente em São Paulo, são 17 mil toneladas por dia”, afirmou Laura Macedo.
Em São Paulo - De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, com relação à redução de impactos ambientais “São Paulo vem consolidando ações importantes”. A mais recente, informa a Secretaria, ocorreu no dia 24 (junho, 2010), quando o governador Alberto Goldman regulamentou a Política Estadual de Mudanças Climáticas (Pemc), tendo como meta a redução de 20% das emissões dos gases de efeito estufa no Estado de São Paulo.
Lembra aquela Secretaria que, em 2007, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU/SP) firmou dois acordos para diminuir o impacto ambiental causado pela construção de moradias de interesse social.
Entre as exigências originadas dos acordos constam: minimizar os resíduos de matéria-prima durante a obra; comprar insumos de empresas que respeitem protocolos de sustentabilidade; utilizar madeira com certificado de origem e promover a destinação adequada de resíduos de obras ou demolições, enfatiza a Secretaria.
Tais exigências são feitas às empresas que constroem moradias dos programas de habitação popular da CDHU. Outro documento, desta vez um Protocolo de Cooperação, foi firmado em 2008 pelas Secretarias Estaduais da Habitação e do Meio Ambiente com as entidades da indústria da construção civil, “para a promoção do desenvolvimento sustentável, desde a elaboração do projeto até a construção dos imóveis”, conforme a Secretaria.
Fonte: Imovél Web
Link da matéria: http://imoveis.imovelweb.com.br/web/editorial/ver_artigo.aspx?ArtigoId=6781
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