Pesquisa da FGV aponta a necessidade de 602.567 moradias no estado
Mesmo com o boom imobiliário, a carência de moradias no Brasil atingiu 7,964 milhões de domicílios em 2006, o que representou um déficit relativo de 14,6%. Em termos absolutos, a Bahia ocupa o quarto lugar no ranking dos maiores déficits habitacionais, com carência de 602.567mil residências, perdendo apenas para o estado de São Paulo (1,517 milhão), Rio de Janeiro (752 mil) e Minas Gerais (632 mil). Os dados, divulgados no último dia 23, são da pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV Projetos), com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quanto à evolução histórica, o estudo mostra que, em termos absolutos, o déficit habitacional tem crescido em todo país. Ao contrário da média nacional, a Bahia conseguiu diminuir este índice, passando de 616.794 residências, em 2005, para 602.567 , em 2006. No Brasil, entre 1993 e 2006 surgiram cerca de 1,7 milhão de famílias que carecem de habitação adequada. Neste mesmo período, o déficit habitacional no país passou de 6,247 milhões para 7,964 milhões de moradias, um crescimento de 27,2%. Os dados revelam ainda que 93,1% do déficit brasileiro encontra-se em famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$1,9 mil).
De acordo com o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado (Ademi-BA), Luiz Augusto Amoedo, mesmo com o aquecimento do setor, a carência de habitações na Bahia é muito grande. “Ainda estamos muito longe se suprir esse déficit. Hoje a gente mal consegue atender à demanda”, revela. Para ele, o problema é que o maior déficit está concentrado na população de baixa renda e para suprir essa necessidade tem que haver um maior incentivo por parte do governo, já que as construtoras hoje estão focadas na classe média, construindo moradias de R$50 mil a R$120 mil.
Para Amoedo, não adianta facilidades ao crédito sem aumentar as ofertas de áreas dentro da capital baiana, pois, desta forma, as incorporadoras não têm como baratear o custo dos imóveis já que o valor dos terrenos são caros. Segundo ele, a Bahia deve fechar o ano de 2007 com mais de seis mil novas habitações, número, segundo ele, muito inferior ao necessário para amenizar o déficit habitacional no estado. “Não adianta a gente fazer sem o auxílio do governo federal, estadual e municipal. É necessário que haja um alinhamento para continuarmos”, pontua, complementando que não adianta sair construindo moradias sem a infra-estrutura básica necessária.
Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Bahia (Sinduscon-Ba), Vicente Mattos, afirma que a carência na habitação não é nenhuma novidade, pois vem crescendo a longo dos anos. “Além das disponibilidades bancárias, empresas do setor fizeram a capacitação na bolsa de valores de quase R$18 bilhões, passando a ter um capital significativo”, confronta, acrescentando que o mercado está aquecido e que o momento é bom.
Mais notícias:
Crise financeira não mudou regras para financiamento no mercado imobiliário
Governo lança linha especial de crédito imobiliário para servidores
Fundos de Investimento Imobiliário disponíveis para qualquer cidadão
Caixa manterá juros e prazos para crédito imobiliário
Mesmo com crise, governo diz que quer ampliar financiamento imobiliário
Lançamento Arc Life
Salão de Negócios Imobiliários da Bahia 2008
Financiamento de imóvel quase dobra no país
Imóvel torna-se alternativa segura de investimento em meio à crise
Chegou a vez da classe média
|