O crédito habitacional deverá apresentar forte crescimento até 2010, na avaliação do diretor do Departamento Econômico do Bradesco, Octávio de Barros. Pelos cálculos da instituição, o setor crescerá 28% este ano e 30% em 2009 e 2010. "Quando tivermos prestações de R$ 400,00 teremos uma explosão do setor", previu, durante palestra no "11º Seminário Tendências: Perspectivas da Economia Brasileira - Cenário Doméstico e Crise Externa", esta manhã em São Paulo.
Octávio de Barros comentou também que, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o crédito imobiliário representa 1,5%. "Está faltando avançar muito na área de crédito imobiliário", disse. Para 2010, sua estimativa é de que o setor chegue a 2,8% em relação ao PIB, já considerando um avanço do segmento hipotecário no País. Ele informou também que, para este ano, o Bradesco conta com um crescimento nominal de 22,5% do crédito para consumo. "Não é a bomba como a vista no ano passado, mas ainda é muito bom."
Apesar destas expectativas de crescimento robusto para o setor, Barros não acredita que a inadimplência será um obstáculo ao crédito. "Ainda que haja deterioração na margem não vislumbro grandes problemas, pois a inadimplência está relativamente sob controle", disse, em relação aos financiamentos destinados às pessoas físicas e, principalmente, jurídicas. Ele destacou que, em fevereiro, o crédito em relação ao PIB estava em 35%. "A sensação térmica emblemática é a de que nunca antes na história deste País as pessoas tiveram tão pouco medo de perder o emprego", brincou em uma referência a uma frase comumente dita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sua avaliação é a de que, no Brasil, o mercado de crédito surfa na quebra estrutural do mercado de trabalho. "Mas o boom do setor de crédito está muito longe de ser um fenômeno tupiniquim", ressaltou, acrescentando que, comparativamente a outros países, o Brasil está no "pelotão" intermediário do desenvolvimento do crédito. Para ele, este fenômeno foi favorecido pela condução da política monetária em todo o globo, recentemente, que derrubou taxas de juros.
Investimentos
O diretor fez ainda uma análise das perspectivas de investimentos no País, revelando que, segundo pesquisa do Bradesco feita com 1.600 indústrias do Brasil, mesmo com a projeção de alta da taxa básica de juros (Selic), os industriais não pensam em reduzir seus investimentos nos próximos anos. "Temos uma experiência de previsibilidade da economia hoje que é algo praticamente inédito no Brasil", considerou. "É impressionante como estamos em um momento de anúncios de investimentos e a tendência é de aumento, inequivocamente", continuou.
Ele lamentou, porém, que o crescimento dos investimentos esteja sendo permitido por recursos próprios das empresas. "Para nossa tristeza, 71% dos financiamentos no ano passado foram com recursos próprios. Isso é um atraso, uma distorção", comentou.
Para ele, no entanto, o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil poderá substituir papéis que hoje são desempenhados por instituições específicas, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável, em 2007, por 32% dos recursos destinados aos investimentos do setor privado.
Mais notícias:
Crise financeira não mudou regras para financiamento no mercado imobiliário
Governo lança linha especial de crédito imobiliário para servidores
Fundos de Investimento Imobiliário disponíveis para qualquer cidadão
Caixa manterá juros e prazos para crédito imobiliário
Mesmo com crise, governo diz que quer ampliar financiamento imobiliário
Lançamento Arc Life
Salão de Negócios Imobiliários da Bahia 2008
Financiamento de imóvel quase dobra no país
Imóvel torna-se alternativa segura de investimento em meio à crise
Chegou a vez da classe média
|