O boom imobiliário dos últimos anos impulsionou o crescimento de um outro segmento dentro da área de construção civil: o mercado de demolições, que apresentou crescimento de 30% em 2007 na comparação com 2006, conforme informações de empresários do segmento.
"Muitas empresas começaram a investir para construir edifícios em áreas nobres, onde não há mais terrenos disponíveis. A única forma de levar o empreendimento para frente é demolindo o que já existe", comentou Dario do Carmo, diretor da Activa, empresa de São Bernardo -SP, que faz cerca de quatro demolições por mês.
Para o empresário, assim como as empresas de construção servem de termômetro para o segmento, o número de demolições também é um indicador de como estará o mercado no futuro.
"A demolição contratada hoje significa que algo novo será construído depois. Enquanto durar a obra, o setor de construção civil estará sendo movimentado", disse.
Sobras criam um mercado diferenciado
A atuação das empresas de demolição acaba por gerar um mercado diferenciado, baseado na comercialização de materiais que podem ser aproveitados como portas, janelas, esquadrias, grades, madeiramento, louças sanitárias, entre outros.
Algumas empresas de demolição mantêm depósitos próprios para comercializar esse material, enquanto outras, como a Activa, optam por vender as sobras para lojas especializadas.
Segundo Antonio José Rosa, da ABC Demolidora, o material retirado das construções pode custar entre 40% (porta) e 70% (ferragem) menos que o produto seja novo. Para comprar, basta ir ao depósito da empresa, na Avenida Piraporinha, em Diadema.
"Esse material é vendido para o consumidor comum ou para pequenos construtores que fazem casas para vender ou alugar", explicou Antonio Rosa. Mas há produtos que não existe como calcular seu valor, como é o caso de portas feitas de pinho-de-riga.
"Uma porta dessas, de duas folhas, que não existe mais no mercado, custa em torno de R$ 15 mil. É um item muito procurado por arquitetos. Madeiramento de peroba para telhados também tem um preço salgado, por ser uma madeira muito boa, mas que não tem mais para vender", afirma o diretor da Activa.
Comerciante gasta menos com empresa especializada
Depois de pesquisar bastante, a comerciante Fernanda Maestro, proprietária do bar Mundaka, em São Bernardo, descobriu que iria economizar muito se contratasse uma demolidora no lugar de um pedreiro, como chegou a cogitar.
"Fiz vários orçamentos e um pedreiro chegou a cobrar R$ 7.000, enquanto uma empresa especializada ofereceu o serviço por R$ 3.900. O pior é que o pedreiro disse que faria tudo em 45 dias e a demolidora pediu prazo de cinco dias", afirmou Fernanda.
Ela precisou demolir o imóvel que abrigava seu estabelecimento comercial para construir outro bar no local, com layout renovado. A escolha de uma empresa especializada também levou em conta a questão da segurança, pois as paredes laterais são encostadas em outra construção. "Já pensou se acontece um acidente e o pedreiro derruba a parede do vizinho?".
O preço de uma demolição varia conforme o tamanho e a quantia de materiais que podem ser reaproveitados. Cobra-se, em média, de R$ 40 a R$ 45 o metro quadrado. Toda demolidora tem de ser registada no Crea e, para demolir construções com mais de três pavimentos ou 12 metros de altura, há a necessidade de laudo de um engenheiro.
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