"Boom" da construção civil valoriza empreendimentos populares
Jornal Nova Fronteira
Data: 03.07.2008

Difícil passar atualmente pelas ruas e não assistir à mesma cena. Um grupo de trabalhadores mistura o cimento e tijolo e começam a erguer, não apenas muros, mas prédios inteiros. O que já se via há alguns anos, principalmente nas capitais brasileiras, também se transforma em uma realidade nas ruas de Barreiras. Tudo porque o crescimento do setor da construção civil, assim como ocorre em todo o Brasil, chegou definitivamente ao município.

E se depender dos números e da animação das construtoras, o número de empreendimentos deve somente aumentar, principalmente aqueles voltados para a classe média. A construção civil, que obteve no ano passado taxas em torno de 7,9%, prevê para este ano um crescimento de 10,2% em seus negócios. Com esta perspectiva, a construção civil deve ganhar espaço na formação do Produto Interno Bruto (PIB), que deve passar de 4,5% para 5,5%.

Na Bahia, a atividade cresceu 7,9%, em 2006 e 6% em 2007, conforme dados do governo estadual. No Brasil, o crescimento foi, respectivamente, de 4,6% e 5%. Não por outra razão, de 2002 para 2006, ainda segundo dados oficiais, a participação da construção civil no PIB baiano aumentou de 7,2% para 8,5%.

Motivado pelo “boom” do mercado imobiliário, a Premium Engenharia decidiu entrar no ramo da construção civil. Tradicionalmente prestando serviços no ramo da engenharia elétrica, a empresa deve lançar ainda este ano o seu primeiro empreendimento na área da construção civil. Segundo o diretor de obras da Premmium Engenharia, José Carlos Marinho, o empreendimento está na fase do projeto arquitetônico. “Será um condomínio vertical no bairro Morada Nobre, com 64 apartamentos, voltado para a classe média, afirma.

Tradicional no mercado barreirense da engenharia civil, desde 1991, a Construvale está com quatro empreendimentos disponíveis para a comercialização. Com obras iniciadas e previsto para entrega dos apartamentos em 2010, o Residencial Érico Veríssimo foi lançado recentemente pela empresa, que continua explorar os empreendimentos de alto luxo em Barreiras. O empreendimento, localizado também no Morada Nobre, tem 11 andares, sendo dois apartamentos por andar, e com três suítes cada, custando inicialmente cerca de R$ 250 mil.

O diretor da Construvale Rodiney Martini explica que a empresa optou por um nicho de mercado, mas que devido ao “boom” da construção civil também começou a investir em empreendimentos para a classe média. É o caso do Flat San Francisco, que deve ser lançado ainda este ano, no Morada Nobre, que possui oito pavimentos, sendo que o apartamento possui uma suíte, com opção de um e dois quartos, e que devem ficar em torno de R$ 150 mil. “Estamos na análise de outro projeto, um condomínio fechado para a classe média”, informa. A Construvale ainda tem na sua lista de empreendimentos em Barreiras os condomínios verticais Vila Lobos, Tom Jobim, e o horizontal Garden Ville.

Condições  as facilidades de acesso ao crédito pelos bancos oficiais impulsionam as construções de grandes empreendimentos na área da construção civil neste primeiro semestre. Segundo José Carlos Marinho, da Premmium Engenharia, o município possui uma grande demanda reprimida no número de empreendimentos. Além das grandes empresas, as pessoas físicas também constroem pequenos prédios. “Quando se lança um empreendimento, já se tem o sucesso pela iniciativa imobiliária, na prestação dos serviços”, afirma. Na opinião de Martini, da Construvale, a estabilidade econômica e o déficit de moradias em barreiras devem ser levados em conta. “Apesar de outros fatores, a conjuntura nacional leva ao lançamento destes empreendimentos” avalia.

O município de Barreiras, no entanto, possui outras variáveis importantes ligadas ao crescimento do setor da construção civil.  Com a transformação do município em um pólo educacional, de saúde, e de serviços, aumenta a imigração – do interior e de outros estados - acelerando a demanda dos serviços imobiliários. O gerente de vendas da Sávio Imóveis, Fernando Moura, acredita que estes setores transformam o modelo econômico de uma cidade, que ao contrário da agricultura, trazem uma demanda de mercado sazonal.

Apesar do número de empreendimentos, Fernando Moura acredita que as condições de financiamento viabilizadas com as construtoras praticadas em Barreiras afastam um grande número de compradores. As instituições bancárias, segundo ele, aprovam os financiamentos quando os empreendimentos estão terminados, e as construtoras locais ainda não têm condições de bancar os custos até o momento da entrega dos imóveis. “Difícil alguém bancar R$ 50 mil de entrada e mais R$ 11 mil por mês. Esta realidade está fora do padrão da classe média em Barreiras”, avalia.

Mesmo assim, as construtoras apostam neste novo público, como professores e estudantes universitários, médicos, enfermeiros, gerentes e representantes comerciais. Os imóveis voltados para este público, no caso as edificações verticais.  “Em Barreiras, os prédios são ainda de alto luxo, e não permitem que a classe média emergente adquira estes imóveis”, diz.

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