Imóveis em alta
Diário do Nordeste
Data: 25/06/2008

A retomada do crescimento econômico, proporcionando a ampliação do emprego formal e a redistribuição da renda, vem promovendo efeitos diretos no mercado imobiliário. A caderneta de poupança, há tempo relegada a plano secundário na captação de recursos para financiar imóveis, tornou-se ativo recorrente no aquecimento das operações para compra da casa própria.

O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi concebido, em 1966, para operar dentro de parâmetros essenciais: estabilidade econômica e conseqüente inflação controlada, juro baixo e pleno emprego. Ao longo de sua maturação, quando prevaleceram essas condições, seus programas alcançaram índices elevados de negócios por haver déficit acentuado de habitações.

Enfrentando ciclos de prosperidade entrecortados por crises conjunturais, o plano nacional de habitação proporcionou moradias a um contingente expressivo de trabalhadores pelo critério de renda básica, como fator de acesso ao benefício. Entretanto, as continuadas fases de retração econômica, provocando desemprego e elevada inadimplência, reduziram a comercialização dos imóveis.

No entanto, desde 2005, vem-se registrando crescimento excepcional nos financiamentos habitacionais. O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço passou a aumentar, também, as fontes de financiamento em virtude das medidas destinadas a flexibilizar seu emprego, embora conserve as taxas irrisórias de remuneração das contas dos detentores de seus créditos.

A caderneta de poupança, carro-chefe do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), também sofreu desestímulos em passado recente, perdendo os atrativos remuneratórios do período de seu lançamento, figurando como ativo pouco atraente. Alterações episódicas no mercado de papéis levaram os investidores a migrar para o sistema de poupança, injetando recursos em volume suficiente para dinamizar os financiamentos destinados à classe média.

Essa redescoberta poderá resultar, este ano, em volume de financiamentos, pelo SBPC, estimado em R$ 25 bilhões. Em 2007, foram atingidos R$ 18,2 bilhões resultantes do crescendo dos depósitos em caderneta. Por conta desse volume de crédito, estão previstas operações de empréstimos de 220 mil imóveis somente por essa linha.

A caderneta de poupança não experimentava, há 20 anos, um crescimento positivo como o atual. Sua fatia de empréstimo habitacional corresponde a 65%. Em cinco meses deste ano, os créditos disponibilizados para compra da casa própria somaram R$ 9,7 bilhões, com incremento de 75,9% em relação a igual período do ano passado. Desse modo, 96 mil mutuários conseguirão se mudar para seus novos imóveis.

A mesma dinâmica ocorre com o consórcio habitacional. De janeiro a abril, 484 mil trabalhadores se associaram a essa modalidade de acesso à moradia, registrando-se incremento de 15% em relação a 2007. Neste mercado aquecido, há oportunidade para todas as faixas de renda.

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