| Construção civil em estado de graça |
| Repórter Diário - Altino Cristofoletti Junior |
| Data: 19/06/2008 |
Quando levanto assuntos em torno de setores industriais que geram orgulho para o país, o que de pronto vem à cabeça das pessoas são grandes corporações como a Petrobrás ou a Vale. Acertei? Pois bem, graças ao trabalho incansável e a muito investimento, outra indústria nacional é motivo de orgulho para a economia brasileira. Estou falando da construção civil, que cresce a níveis talvez nunca vistos no país. É uma maquina que não pára e que, ano após ano, vem batendo recordes de expansão. O setor gera nada mais nada menos do que 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Ganhou força não somente em uma ou outra região, mas em todo o país. Transformou-se em um diferencial nesta atual fase de aceleração da economia. Seja pela geração de emprego ou pelos investimentos, a construção civil deve continuar nesse ritmo por um bom tempo, como peça importante do crescimento brasileiro. O lançamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), ainda em 2007, veio preencher expectativas e também lançar um alerta quanto às necessidades e demandas do setor. Os investimentos devem acontecer ao longo de toda a cadeia, envolvendo as construtoras em geral, os prestadores de serviços, a indústria de máquinas, os departamentos de recursos humanos. Somente nos três primeiros meses de 2008, o crescimento foi de 8,8% na comparação com o mesmo período de 2007, ano já considerado excelente por todo o setor. Com relação à geração de empregos, mais de 110 mil novos postos de trabalho já foram gerados neste começo de ano, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Além do PAC, outro grande aliado do crescimento do setor tem sido o investimento de construtoras nacionais e internacionais em lançamentos de empreendimentos imobiliários. Ao contrário do que ocorre nos EUA, que vivem uma crise imobiliária, o Brasil aproveita o gargalo do déficit habitacional para expandir os negócios, manter a construção civil em alta e continuar aquecendo a economia. A disponibilidade de recursos e as facilidades na obtenção de crédito para aquisição de imóveis são parte importante desse processo. A compra da casa própria pode ser financiada em 30 anos, com pequenas taxas e parcelas que cabem em todos os bolsos. Empreendimentos na capital paulista estão sendo integralmente comercializados ainda na planta. Há falta de mão-de-obra especializada. Não é por acaso que profissionais do setor estão sendo contratados junto aos tapumes de madeira ainda durante a obra. A falta de profissionais tem deixado muitas construtoras literalmente a ver navios. Engenheiros com pouco tempo de experiência já estão ganhando altos salários e sendo seduzidos por empresas de todos os cantos do país. Outra boa notícia anima os trabalhadores. O segmento, que sempre encarou problemas com acidentes do trabalho e o desafio de oferecer boas condições de segurança, mostra que as notícias veiculadas sobre essa questão já são passado. Tal realidade só pode ser alterada após muito investimento em equipamentos, cursos e palestras motivacionais. Essa nova realidade da construção civil no Brasil é animadora e promissora acima de tudo. Os investimentos no PAC apenas começaram e mais de 10 milhões de famílias ainda não possuem casa própria. Altino Cristofoletti Junior é engenheiro civil e diretor da rede de franquia Casa do Construtor. Mais notícias:
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